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segunda-feira, 23 de maio de 2011

aprende-se a esperar com o tempo: ironicamente ou não, é com ele que chega a maturidade necessária para se entender que nada é pra já.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

talvez eu tenha reprimida, no breu da mente, a vontade de seguir certos padrões. como é, por exemplo, a sensação de se dizer 'oi, meu amor' à mulher amada ao telefone? pois é, nunca soube.

terça-feira, 17 de maio de 2011

nos olhos meus
de verem um dia
o olhar mendigo
da poesia
nos olhos teus
vinicius de moraes


esse amor sobre as coisas sem nome, da falta mesmo de definição, do mistério que envolve e encanta. das palavras, doces companheiras, que me falam pelos olhos e me dizem o que jamais se diz. seguindo o coração, o meu coração, pelas terras de ninguém, para sempre voltar a enxergar a leveza que cobre esse caminho de poesia e de afeto. essas idas e vindas, esse retorno, essa vida que me engana sempre que a convém. esse olhar desabrochado e pisado que não me deixa só, nem solto, para fazer do cinza a tradução de todas as outras cores. para me fazer voltar a escrever. 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

adeus

despeço-me, hoje, do olhospisados com a franqueza de sempre. durante o tempo que aqui escrevi, foi uma correspondência comigo, no prazer da escrita e do amor que sempre me moveu ao fazê-la. mas muito me parece que a fase que aqui me guiou chegou ao fim. talvez tenha mesmo adiado inúmeras vezes a despedida de um canto que sempre me acolheu com ternura e com leveza, no entanto, os reiterados hiatos criativos me mostraram, enfim, que minha jornada aqui neste espaço carece de fechamento. agradeço aos que aqui passaram para dividir sentimentos e palavras, já que são esses os dois vetores que me guiam na inspiração da continuidade dos meus propósitos enquanto homem e ser humano. aqui deixo um pedaço de mim e do meu eu-lírico, que movidos pelo encanto das palavras, intercalaram tristeza e alegria num sujeito que se torna cada vez mais amante da escrita e que não pretende, nem de longe, abandoná-la à própria sorte. até a próxima, adeus.


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'escrevo em folhas de papel. você recolhe e guarda, temendo desaparecerem. alguma coisa se perderia se elas nunca fossem lidas? talvez nada, porque escrevo apenas para me livrar da memória. esses rabiscos são o meu esquecimento. lembra as pinturas rupestres nas paredes da caverna que visitamos? alguém desejava livrar-se da memória que o incomodava e pôs-se a desenhar e pintar nas pedras. escrever é a maneira mais simples de morrer, embora muitos achem que é o único modo de permanecer vivo.' ronaldo correia de brito.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

sonoro

queria um pianinho
de um tipo bem miudinho
para hoje dedilhar
as notas da solidão

é que há tempos ensaio
o espetáculo privado
cujo saudoso regente
é o meu coração

domingo, 12 de setembro de 2010

incipiente

o amor


todo pedrado

nos olhos teus

que me chega

assim

sorrateiro

e se aloja

e adentra

e fica

já diluído

bem perto

dos meus

domingo, 5 de setembro de 2010

( )

para amanhã eu chegar tarde outra vez e deixar o centésimo sexto pedido sobre a mesa, com os dizeres que se repetem automatica e involuntariamente: perdão pela ausência.

sábado, 10 de julho de 2010

já distante e sem pressa, afirmo com segurança o quão bonita se faz a última visão das coisas no farfalhar da memória. com o fechamento de um sonho, as cores parecem dançar em seu amálgama mais vibrante; o tempo parece parar, numa aceção de eternidade. o vento bate e esfria mais que de costume, é assaz agradável a sensação. sem espaço para a melancolia, só me chegam as boas lembranças, as que me despertam o melhor dos sorrisos.

domingo, 4 de julho de 2010

se hoje escrevesse o que sinto, mostraria o envelhecimento precoce do meu coração.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

volto porque me incitam as palavras e todo o sentimento que ressoa aqui dentro, aqui onde sempre guardo uma válvula enérgica e pulsante, que bombeia sangue e poesia, impulsiva que só ela. volto porque o regresso tem um gosto doce de saciedade depois do amargo da longa ausência, que se estende sempre por mais tempo do que deveria, feito esses hiatos fantásticos que me põem à disposição da vida. volto porque não sei viver sem, para alimentar esse vício que me norteia por entre os caminhos que tomo, o que me desbrava uma sede incrivelmente ardente e que me faz impulsivo com sobriedade. volto porque moro nesta casa de tantos fatos, de tantas lembranças, de tantos corredores e quartos, de tantos vãos do meu coração, das minhas enérgicas mãos, que é como o meu próprio corpo cheio de vida, minhas janelas pro mundo, meu canto, meu aconhego, meu porto, meu domicílio. volto para poder respirar com a simplicidade de outrora, desafogando os sonhos, os amores e os receios, como cano de escape que sempre funciona silenciosa e eficazmente. volto para dizer que fui, como tantas vezes, e que voltei para mais uma estação de ventos corriqueiros, para escrever as minhas linhas, para bordar no meu peito o infinito.

sábado, 15 de maio de 2010

é quando saio por aí, de esquina em esquina, carreando os vestígios de liberdade, que a vida me chega ofegante. num ritmo alucinante, de adrenalina, de confetes e de serpentinas. o carnaval acontece sem ser fevereiro, e com uma fantasia taciturna, colore as ruas e traz gente: caras novas, máscaras cruas, dessas de cotidiano. e aí aquele cheiro de azul inebria os que cantam, dançam e acompanham o bloco. o bloco de tantos estandartes quanto as notas musicais inventadas. as sandálias se arrastam no chão, feito um samba de rua, revelando o jeito malandro mesmo de ser. uns muitos tamborins embalam as valsinhas, e todo mundo se vira do jeito que pode, com par ou sozinho. sem pressa, ‘desço as ladeiras, perdendo o freio devagar’.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

os meus parágrafos estão soltos e já não me saciam. frustram-me. chego a titubear entre a vontade e os verbos intransitivos. caio aos pedaços, embriagado de insônia e cansado de sonhos. aqui, reina o silêncio, assustam os pensamentos. inspiração expirada. envolvo-me, então, frágil e facilmente com a solidão de pequenos intervalos diários, somente para contemplar os sentidos coloridos e furtivos de que é composta a vida. imagino a vontade se transportando ao real, ao concreto, à dor prazerosa de existir. tanto mudei em épocas que agora são lembranças; tanto acompanhei o esticar da pele e o reviver dos sonhos; tanto criei defesas sutis em busca do nada. numa escrita solta, incompleta, insaciável. o meu paradoxo constante.

terça-feira, 11 de maio de 2010

gosto dessas horas de exaustão espontânea, quando a noite cai e traz consigo a sensação de dia cumprido: o corpo e a mente entrelaçam-se num entendimento comum, numa atitude altruística e fantasticamente humana.

domingo, 2 de maio de 2010

anulando-se em pálidos versos, desfazem-se os fatos. fundem-se as caras e as cores, num embaçado cotidiano. pede-se memória agora, por tudo o que se vai e não deixa resquício. sofre-se pela escassez de tanto. perde-se passado. cobra-se lembrança.

sábado, 17 de abril de 2010

sinto. como o tanto que me chegou inúmeras vezes. num universo egoisticamente singular. a pluralidade essencial de coisas e casos não vividos. traição da memória. negação de sonho. repúdio à realidade. intensidade, eu diria. como um estado de espírito intermediário, sem fronteiras explícitas, sem arestas palpáveis, sem metades inteiras. vácuo vistoso, sagaz e intrigante. indefinível. indefinido. sentir é não só o seu próprio ato, mas um infinito de texturas que se aglomeram nas cores imperceptíveis. nas misturas. nos contextos. nas divisas. são marcas, partículas, grãos. é tudo, enfim, o que não sei agora exprimir. quando começo a socorrer-me num campo de quatro paredes, poupando vestígios de mim mesmo, chega a solidão saudável. mais saudosa do que nunca. chega como quem quer ficar. entra como quem já vai sair. devaneando palavras, com pensamentos morbidamente poéticos, o que aprendi outrora com o exercício trivial do existir: sensibilidade. exercício vão. ingênuo. pueril. cheio de pontos finais que mais parecem reticências. agora entendo, talvez, uma das premissas básicas do corpo, o social. o cordão majoritário diz que um homem deve trancar sua pele e seus sentidos na frieza do fingimento. na beleza fugaz das máscaras. na dureza de ser macho por esconder suas fraquezas. disseram-me isso e eu sequer assimilei. numa matéria só, somos dotados de uma fragilidade furtiva, alheios ao que se acontece no exterior das nossas vontades, pareando físico e psicológico entre o que se costuma chamar de coração. independente de sexo. é como um ciclo. infindável rota de um mapa errante. numa repetição atípica. numa sequência de pensamentos que se cansam de existir. assim, jamais paro de sentir.
(republicado)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

o que será? que será?
que vive nas ideias desses amantes
que cantam os poetas mais delirantes
que juram os profetas embriagados



hoje eu gostaria de acreditar na facilidade das coisas, ter a idade de três anos e não entender o porquê de tantas coisas do coração. cor-ação. esse nublado que chega aqui dentro, escapando das cinzas nuvens lá no céu. de um pardo-anil dos dias que se repetem sem se chegar solução. enquanto amarelam-se a memória e a saudade. por cor. que se estilhaça no claro, que causa cegueira de virtude. do muito que acontece por cá, foge o controle das mãos que vão ao peito, que vão aos olhos, que esmiuçam cada fio de cabelo em movimentos displicentes. por pensamentos que chegam e não se demoram. por uma razão rude. por qualquer palavra de conforto. por ação. ação que falta aos sentidos, travada e tolhida pela inquietude do medo. (silêncio). parada cardíaca.

terça-feira, 23 de março de 2010

o sol que despenca
nas chuvas de março
lavando barrentas
azuis de picasso


eu diria tantas coisas, daquelas pras quais não existem palavras certas. diria que não trocaria esta vida por nada. diria que ter alma em excesso é uma opção pelo amor. diria que a luz do dia é aurora de paz. diria que pessoas são como estrelas, de brilho próprio e de beleza ímpar. diria coisas do coração. diria coisas bonitas. diria muito, muito. mas hoje só me apetece sonhar.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010