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domingo, 22 de maio de 2011

nenhum conhecimento é suficiente quando nos damos conta de que estamos amando alguém.
Siegfried Lenz

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

'faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do cairo, sapato de sola furada, verso de mário quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. acesa, aceso — vasto, vivo: meu coração teu.'
caio fernando abreu.

sábado, 17 de julho de 2010

no improviso da prosa

essa rima tão ligeira
abriga opostos



tu me chamas de poeta
e talvez eu seja mesmo um
não pelo domínio das palavras
mas pelo coração
que me foge às rédeas
e ligeiramente faz tum-tum

quando sinto que é amor
eu logo tenho medo
do que de tão desconhecido
me faz perder os sentidos
e quase o juízo
nesse prenúncio de dor

não queria que rimassem
muito menos combinassem
esses dois sentimentos
que de tão violentos
sempre me deixam assim
com tantos e tantos tormentos

mas o amor sem a dor
talvez não fosse como é
viril e cabuloso como o cravo
forte, robusto, corajoso
e ao mesmo tempo
tão belo e frágil como a flor

e se sentir amor
for a ausência de dor
eu jamais terei amado
pois o que comigo aqui guardo
é um coração machucado
que de tanto amor, se encheu de dor

mas sinto que feliz hoje sou
porque por isso passei
e dessas pelejas da vida
tenho que confessar
enfrentei tanta dor
com a famigerada fé no amor

quarta-feira, 7 de julho de 2010



resumindo
não somos o que fomos
nem menos do que fomos
temos uma desordem na alma
mas vale a pena sustentá-la
com as mãos / os olhos / a memória
mario benedetti

terça-feira, 6 de julho de 2010

talvez amar seja mesmo essa coisa toda de aprender os caminhos e os traços daqueles que nos cercam. conhecer o segredo de um abraço ou o encanto de uma palavra bonita. entender que chega uma hora de engrenar numa direção, tomar um rumo, fazer escolhas, dizer adeus. aceitar as perdas, entender os erros e apostar nos acertos. pequenices assim, cotidianas, que vêm do coração.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível

manuel alegre

domingo, 23 de maio de 2010


mas o que sinto escrevo. cumpro a sina.
inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
adélia prado

terça-feira, 18 de maio de 2010

a poesia faz parte daquelas coisas inúteis da vida que não precisam de justificativa, porque são a própria razão de ser da vida. querer que a poesia esteja a serviço de alguma coisa é o mesmo que querer achar um porquê para a alegria da amizade e do afeto.
paulo leminski

sábado, 1 de maio de 2010

todas as palavras boas estão pálidas de exaustão. flores, lua, olhos, lábios.
eu gostaria de escrever como se a literatura nunca tivesse existido.
eu não consigo.
victor shklovsky

segunda-feira, 26 de abril de 2010

- tenho muitas palavras cá comigo, tenho muito amor para te dar. senta-te aqui, dá-me um abraço.
as metáforas, tão heróicas em seus atos sutis de adjetivação camuflada, já não alcançam os sentidos que se fazem reais nas experiências cotidianas de vida. as cores e as estações eternizam-se como representação imagética dos sentimentos que afloram nos lugares mais simples e nos momentos de lágrimas internas que tratam de celebrar a intensidade do que se sente. parece que mais alma se faz necessário, parece que não dá pra assimilar num só corpo as tantas sensações, parece que o tempo vai cravando marcas por entre as lembranças e os sonhos, assim devastando o passado e carcomendo a memória; nostalgicamente as reflexões filosóficas emergem brutalmente dos lugares inusitadamente líricos da mente. complexidade que não reclama entendimento, apenas corrói a disposição física e psicológica de alguém que é imperfeito. é quando um cansaço arrebatador reflete a irônica leveza do corpo em relação ao que se divide entre o coração e os olhos de quem ama, sofre e, essencialmente, vive.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

donde vieste foge-me agora a lembrança, embora o saiba vagamente. memória que me trai de forma sutil. sei da falta que aqui fazes, no meu restrito ciclo de bons prosadores, nas conversas de ti, de mim e do mundo. nele sumiste. nem ao menos naqueles cantos de livros, onde costumávamos esbarrar nossos gostos e anseios numa terça-feira qualquer, como a de hoje, nem lá encontro resquícios teus. falta faz ler-te em poesia, em versos que me ensinaste e me inspiraste diversas vezes. por onde escreves tuas linhas? manda-me carta, notícias tuas de onde andares. rememoro com graça tua aproximação, numa dança - quando me resta memória. escritora por natureza. és tal com talento, com fuga, com deleite poético. tão precoce nos verbos, sentenciando gracejos em construções estupendas de belas. nasceste pra isso, ao menos num dos pontos foi. e é no pouco que conheço de ti, no mínimo talvez, que encontro a saudade de um breve contato. aparece, então, quando puder, prometo ser breve em minhas indagações. e escrevo-te hoje, em especial, no intuito de desejar uma infinidade de meses de abril em tua vida, cheios de sorrisos e com cheiro de azul.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

essas mulheres que descem de seus pedestais por um beijo são apenas fantasias.
nine, rob marshall.

quarta-feira, 31 de março de 2010


pra quê buscar palavras na razão?
me diz: pra quê?
se gente é coração.

herbert vianna

segunda-feira, 29 de março de 2010

o que eu mais invejo de um pássaro é o horizonte; porque ele realmente tem a linha do horizonte à disposição dele. e nós aqui embaixo nem sempre a temos.
armando nogueira, jornalista.
1927-2010