quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

margarida

quando menos espero estou aí, debruçado em tua janela, a regar plantas secas, das que não dão flores, curtindo o vento passar. na ruazinha passa um senhor esguio com uma flauta a tocar. tem também carrinho de algodão doce, fiteiro na esquina e toalhas estendidas, coloridas, sob o céu, o mesmo do mar. te espero pela tarde clara, de céu anil, céu vazio, céu profundo e imenso, como as palavras soltas e perdidas que decorei pra te falar. por aqui o mundo inteiro passa, mas só vejo estrelas, que aprendi a semear. estou aqui e tu não chegas. no meu relógio as horas passam, o ponteiro do segundos corre e me indaga bruscamente: por que ela? fico devendo resposta, o ignoro e tento assobiar. estou rouco, estou faminto, tão sedento por alguma coisa parecida com um abraço, tão sem norte, sem tento, sem lar. passarinho de verão, voar, voar, voar. há pedrinhas de brilhante neste lugar, elas parecem contigo, canção de ninar. que nesse interstício todo, o teu nome já me esqueci, não importa: é com teu coração que irei prosear.

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